10.1.13

choque anafilático



Quatro de janeiro de 2013, nove horas da manhã, acordo, mas meu rosto paralisado. Pensei que fosse o travesseiro, não era. Faltam doze dias, o meu corpo também adormece. Nada para fazer, apenas a minha consciência está acordada, parece pouco desde que não. Me olho no espelho, continuo o mesmo, sorrindo, chorando, preocupado, cansado, mesmo dormindo tanto. Quatro de janeiro de 2013, nove horas e dezesseis minutos, estou atrasado. Cadê o papel? Não me lembro de ontem. Estou com sede, mas preciso voltar para casa, me arrumar, pegar a ração, escolher uma roupa que não me asfixie, nem alegre, meu sorriso continua paralisado. Parecia estar em um sonho de um sono profundo sem que se possa voltar, mas voltando assim mesmo, só que desta vez sem poder lembrar. Não era nada, estava apenas chapado de mais, como sempre. Tenho tantos sonhos que não cabem no meu bolso. Aliás, meu bolso está furado, perdi meus documentos, minha memória e meu passado. Não sei onde estou, mas fico bem de branco. Fumaça ou nuvem? Tudo bem, agora descanse.