1.3.10

humano demasiado humano, errare est

seu hábitos noturnos não te salvam do medo do escuro
ainda assim você mata o seu café da manhã com as mãos

você está tão pálida e coberta de gelo
mas esta opinião não deve ser considerada
pois hoje em dia eu não enchergo muito bem

algo não aconteceu esta manhã
mas tudo bem se tão cedo já estou bêbado,
estou apenas sozinho e mal acompanhado,
quem se importa, quem está atrás da porta?

nem estamos casados e você já
não presta atenção no que digo

sentimento sem palavras
e a palavra não sente o que descreve

você escorre pelo copo tudo aquilo
que se locomove entre seus neurônios
você se cobre com a pele e
enxuga sozinha suas próprias lágrimas

quando você chora e ninguém vê,
você está sozinha e cansada
quando você chora e ninguém vê,
você não chora por mais ninguém
quando você não tem mais por quem chorar

a lágrima seca
muito tempo depois que o sangue coagula
mas o coração continua batendo à minha porta
tentei abrir, não era ninguém.
ninguém me espera e não espero alguém.

você já não olha para o relógio
e eu não me preocupo com as horas

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

- Mário Quintana