
existência, existência.. o sono dos justos, a reza dos ateus, martírio dos réus, fé dos desesperados.. ao mesmo tempo, ou não. olhar e ver: tanta diferença quando não consigo me concentrar. olhando-me espelho. escovando dentes de óculos escuros custo acreditar que ainda não conseguí dormir. penso, logo estou acordado. sonho, logo não sei se estou dormindo. preciso acreditar mas ainda me custa.. também, era domingo e a blusa branca me mostrava mais acima do pescoço em frente ao espelho e na manhã seguinte já pressentia o que aconteceu de os ônibus que demoravam tanto a passar vieram um após o outro quando chegava, nada pior, e a inoperância se fez verbo. frente a este oráculo todos os pensamentos pessimistas voltaram a povoar meus labirintos, a dúvida ainda cerca as possibilidades de fuga, minhas contas de danos e riscos, tantos desvios, devaneios de sorte ou acaso. claro que não, digo que isso apenas por uma questão de rima - e nem rima - vontade ou outro qualquer. prefiro esquecer. ainda penso, penso que penso e estou acordado. claro que não, já estou dormindo, não sei ainda mas nem importa tanto assim pois logo esquecerei disso tudo em frente ao café frio com a cabeça doendo por causa da cerveja quente de ontem. no momento preciso pensar que prefiro esquecer que estou acordado.

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Quem faz um poema abre uma janela
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas, enfim, profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.
- Mário Quintana